"Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro".
São elas
Meninas, moças e mulheres
Que me dizem adeus dessa janela
São flores extraviadas...
Dançarinas sem corpos, sem vestes
Elos rompidos da delicada corrente
Para sempre...
Para sempre...
São artérias, pontes e caminhos
Sob pesado concreto
Deslembradas de que foram
Sangue, e água, e tantas promessas
Para sempre...
Para sempre...
E todas me acenam seus lencinhos brancos
E todas me dizem adeus dessa janela
Sobre a qual incrédula me debruço
Para dizer o que em vida nunca pude
Às irmãs que de longe me acenam
Seus lenços feitos de saudade e espanto
Para sempre...
Para sempre...
Calu
(Itatiaia, 04 de novembro de 2012)
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