domingo, 4 de novembro de 2012

Às irmãs que se vão.





"Ela está sentada à janela. Sei que nunca
 Mais se levantará para abri-la
 Porque está sentada do lado de fora
 E nenhum de nós pode trazê-la para dentro".





São elas
Meninas, moças e mulheres
Que me dizem adeus dessa janela
São flores extraviadas...
Dançarinas sem corpos, sem vestes
Elos rompidos da delicada corrente
Para sempre...
Para sempre...

São artérias, pontes e caminhos 
Sob pesado concreto
Deslembradas de que foram
Sangue, e água, e tantas promessas
Para sempre...
Para sempre...
  
E todas me acenam seus lencinhos brancos
E todas me dizem adeus dessa janela
Sobre a qual incrédula me debruço 
Para dizer o que em vida nunca pude
Às irmãs que de longe me acenam
Seus lenços feitos de saudade e espanto
Para sempre...
Para sempre...


Calu
(Itatiaia, 04 de novembro de 2012) 











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