quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pinheirinho




“Quando o poder é tirânico, a revolta é um dever” (São Tomás de Aquino)

"Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira. Enfim, cá estou eu outra vez a sonhar. Como os Homens a quem me dirijo".

José Saramago in "Levantado do chão"

Eugênio de Andrade



O Anjo de Pedra

Tinha os olhos abertos mas não via.
O corpo todo era saudade
de alguém que o modelara e não sabia
que o tocara de maio e claridade.
.
Parava o seu gesto onde pára tudo:
no limiar das coisas por saber;
- e ficara surdo e cego e mudo
para que tudo fosse grave no seu ser.
.


É de 2011, mas eternamente válido.


Os cinco filhos de Sophia de Mello Breyner Andresen doaram hoje o espólio da poetisa à Biblioteca Nacional, porque, como explicou um deles, não lhes pertencia.

"Enquanto cidadãos, seus compatriotas na língua e na cultura que é nossa, nós sabemos que, de facto, não éramos donos de coisa alguma. Acidentes biológicos não criam direitos de propriedade", assinalou.

"Se ela própria, por morte, deixou de ser dona dos cadernos e de tudo o resto ligado à produção da sua obra, que foi seu em vida, que sentido faria que os seus filhos, por simples direito de herança, guardassem para si o que deixou de ser de alguém e passou a ser de todos? Estamos bem conscientes de que a circunstância de sermos filhos dela traz consigo uma responsabilidade, não um direito", sublinhou.

Intertextualidades





Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante.

(Antoine de Saint-Exupéry)

Não sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, depois de outra flor. Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma única rosa e vive nela até que ela feche as pétalas sobre ele; e, abafado neste aperto supremo, morre entre os braços da flor que elegeu.

(Roger Martin)

Pirandello







Alegres! Alegres! As coisas que existem!
Não importa como você as veja; se são verdadeiras ou não, procure vê-las bem!
Mas você acredita realmente que você seja necessário? Você se vai e as coisas ficam, a vida permanece! Há necessidade de todos e não há necessidade de ninguém. VOCÊ, COM ESTE CORPO, VOCÊ COM ESTE NOME! O QUE VOCÊ ACREDITA REPRESENTAR? A VIDA NÃO LIGA PARA ISSO!

(Luigi Pirandello)

Pessoa



Achei, Valéria Guerra; com o recado e tudo!

Um escrito de 2007 que achei na papelada que já ando organizando por conta da mudança. Rí muito! Olha só:

INDIGNADA

Eu quero é descobrir minha macheza


Retida sob a vã delicadeza


Tão útil a quem cozeu fiou e pôs a mesa



Vou mergulhar de vez nessa estranheza


Contrariar a sina e a natureza


Parir uma outra alma e uma certeza


Se a lei é a do mais forte


Inútil é ter nobreza


Melhor dar coices


Devorar a presa

Cobrir com fel o pão e a sobremesa


Não mais servir 

E sim virar a mesa