"Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
O prefeito e os varredores
Fossem somente crianças."
Estou longe da minha zona franca, eleitoral... E devo dizer que faz-me falta o combate, pois nas impenetráveis e desconhecidas zonas alheias não nos é permitido beber nem comer o que os outros partiram e partidarizaram e conosco não repartem.
Confesso que em política, tenho sangue mui caliente, mas no exílio voluntário que experimento, permito-me apenas pensar, e pensar baixo! - porque gente como eu, tem pensamentos falantes - e prosseguir fazendo minha pequena parte pela Cidade Ideal "que ainda às vezes em sonhos me aparece"; cidade que não sei sequer se existe ou existirá em algum lugar; sei apenas que existe em mim, tal qual deve ter existido para Neruda que, em seu"Para Nascer Nascí", bem na última página e citando o grande poeta Rimbaud, a descreve assim:
"Um pobre e esplêndido poeta, escreveu esta profecia: "Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades". Eu creio nesta profecia de Rimbaud... Sempre tive confiança no homem. Não Perdi jamais a esperança. Por isso talvez cheguei aqui com a minha poesia, e também com a minha bandeira. Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade. aos trabalhadores, aos poetas, que todo o porvir foi expresso nessa frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens. Assim a poesia não terá cantado em vão."
E ainda, como nos Saltimbancos de Chico Buarque, minha cidade ideal é toda feita de crianças, porque "o sonho é meu e eu sonho que..."
Bem... aprendi a custo, e hoje já sei entregar pacientemente aos próximos dias, meses e anos - a despeito de tudo, e se me couberem -, o trabalho de fazerem dentro de mim o milagre de seguir como Neruda: simplesmente crendo!
Afinal, de contas, é como fazem as crianças!
Afinal, de contas, é como fazem as crianças!
É bem melhor assim... é como é pra mim.
E pra ti?
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