quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A verdade é que fomos - Raúl de Carvalho

A verdade é que fomos 


feitos do mesmo sangue 

violento e humilde 



A verdade é que temos 

ambos a graça de compreender 

todos os homens e todas as estrelas 



A verdade é que Deus 

nos ensinou 

que este é o tempo da razão ardente. 



Deus hoje deu-me um pouco 

do que toda a vida lhe pedi 

foi esta calma e simples aceitação 

de que é preciso que estejas 

longe de mim 

para que amando eu possa conservar 

o meu coração puro. 



As ruas hoje pareciam mais largas 

e mais claras 



As casas e as pessoas 

pareciam diferentes 



Foi só o tempo de pedir a Deus 

que prolongasse o generoso engano. 



Tu ensinaste-me as palavras simples 

as palavras belas 

as palavras justas 



E fizeste com que eu já não saiba 

falar de outra maneira. 



O amor substitui 

o Sol — que tudo ilumina. 



Sonhar contigo é quase como 

saber que existo para além de mim. 



Se basta que de mim te lembres 

para que o sono facilmente venha 

porque não hás-de dar-me amor a paz 

com que o meu coração de há tanto tempo sonha 



Vês como é tão simples 

ter o coração 

tão perto da terra 

e os olhos nos olhos 

e a alma tão perto 

da tua alma 



Por que será 

que quanto mais repartimos 

o coração 

maior e mais nosso ele fica? 


3 comentários:

  1. Por detrás das pilhas de louça e roupa suja e da outra pilha das contas a pagar o Sol do nosso amor ainda brilha! Bjos!

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  2. E eu continuo a buscar um amor assim...
    Lindo tudo: vocês, o poema, o amor, a vida. Que o sol de vosso amor brilhe para sempre.

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  3. E eu continuo a desejar que meu seja amor assim...
    O que aqui vejo é, em síntese, uma estimada realidade muitas vezes intepretada como Utopia.

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