Impossível não pensar no meu jovem pai ao ler isto:
A morte nada foi para ele, pois enquanto vivia não havia a morte e, agora que há, ele já não vive. Não temer a morte tornava-lhe a vida mais leve e o poupava de desejar a imortalidade em vão. Sua vida era infinita, não porque se estendesse indefinidamente no tempo mas porque, como um campo visual, não tinha limite. Tal qual outras coisas preciosas, ela não se media pela extensão mas pela intensidade. Louvemos e contemos no número dos felizes os que bem empregaram o parco tempo que a sorte lhes emprestou. Bom não é viver, mas viver bem. Ele viu a luz do dia, teve amigos, trabalhou, amou e floresceu. Às vezes anuviava-se o seu brilho. Às vezes era radiante. Quem pergunta quanto tempo viveu? Viveu e ilumina nossa memória.
De: CICERO, Antonio. A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.57.
Será que é a tal da sincronicidade agindo de novo? Escrevi uma carta para um ex-aluno nosso que perdeu a mãe recentemente (ela também foi nossa aluna por um curto período), e eu disse -dentre outras coisas - que sinto que meu pai ainda vive de alguma forma pelo simples fato de falarmos dele, lembrarmos dele sempre ...TANTO a ponto de o Bruno ter me olhado um dia desses e com um tom triste na voz ter me dito...Mãe, eu queria TANTO ter conhecido meu avô. Eu desabei!!! Que ele continue a nos iluminar, mana. Te amo.
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