NÓS e OS OUTROS
Por sermos nós nos desatam
Lançam-nos à terra,
Aos outros,
Mundos incomunicáveis.
Sobreviventes,
A tatear pedras brutas,
Nas arestas do mundo forjamos a vida,
Fazemos morada de quatro paredes
E nelas penduramos o espelho:
“Espelho, espelho meu”
Que não alberga os outros.
Mas eis que esses outros – nossa sina e inferno -
Derrubam as portas,
Invadem a casa,
Convocam-nos pra guerra: ofício diário de conviver.
E assim seguimos,
A caminhar num chão de espelhos em pedaços...
Sobre estilhaços que nos ferem
E condenam à irremediável visão: dos outros? De nós?
Por sermos sós nos libertam...
(Carmen Lúcia Guerra - Manaus, março de 2011)
Lindo!
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